BLUE-CITY - BAIRRO VONGOLA - PRÉDIO BORIS - 1:30
Se tem uma coisa que um patrulheiro dos bairros da zona Sul de BLUE-CITY não estava acostumado era com mortes. Enquanto descia o elevador novo do prédio de meu apartamento, ia pensando no que poderia ter acontecido: O Sapiens havia matado alguém? Se sim, a mando de quem? Um robô não pode pensar sozinho, mas sim, ser programado. Ou será que eu estava errado?Quem era o finado? Seria um qualquer ou alguém importante? Seria tudo aquilo algum tipo de confusão, daquelas que no fim tudo se resolve? Será que já haviam visto o corpo?Será que já estavam a procura de alguém? Será?
Não parava de pensar nisto mais o tempo tava correndo e eu não tava afim de me foder.Peguei a moto do trabalho e saí pela rua, com a sirene desligada. Acelerei. Fui direto para a torre de vigilância. Estava correndo contra o tempo e confiando num robô. A sensação era de um nervosismo desgraçado, fazia tempo, mas desde muitos anos não sentia uma sensação de apreensão e medo como aquela. As sensações só pioraram quando cheguei ao local que deveria esperar as informações do Sapiens. Estava em frente à torre.E que torre. Pela manhã tão comum, mas pela noite tão emblemática.
BLUE-CITY - BAIRRO VONGOLA - TORRE DE VIGILÂNCIA - 1:40
A torre era uma espécie de FORTE cercada por um muro e um novo sistema de segurança chamado Colunas Storm. Eram colunas fixadas ao redor do muro que protegiam a torre e identificava qualquer ser estranho que tentasse entrar nela. Você até podia se recostar nela. Mas se tentasse entrar pela porta da frente teria de passar pela auto-análise. Em menos de 5 segundos o sistema pediria com educação para que você se afaste caso não seja autorizado ou acionará as colunas. O espertinho que tentar burlar as regras leva uma descarga altíssimca de choque elétrico. Quanto mais você resiste e tenta entrar maior será voltagem do choque.
Apenas policiais e vigilantes autorizados poderiam entrar lá. Eu sabia que estava me arriscando. Mas que se foda, eu gostava da adrenalina pulsando em mim. E fazia isso por um objetivo forte, a minha carreira estava em jogo, minha imagem estaria perdida se meu robô entrasse pra história como assassino. Fazia isso também pelo Sapiens. Ele não era humano, mas conseguia ser melhor que um. Ele era, orgânico ou não, meu amigo.
Precisaria desativar o sistema de segurança. Eu sabia que precisaria da ajuda do Sapiens. Mas ele estava demorando. E pra piorar começou a chover.No momento só conseguia pensar: "Isso vai dar merda..." Depois de uns 15 minutos esperando na surdina em um beco quase em frente à torre de vigilância eu recebi um chamado do Sapiens via Linha neural*...
- Senhor Ho, tenho novidades.
- Manda logo, ta chovendo aqui nessa bagaça!
- Consegui achar uma conversa informal entre dois homens do País Nª 03, e descobri muitas coisas.
- Então diz logo cara.
- Bem, o sistema é bem protegido. Somente um Hacker poderia conseguir entrar nele e mesmo assim ele teria de ser muito bom pra invadir um sistema do governo.
- Droga...Me diga apenas o que devo fazer ao chegar lá, pra entrar eu dou um jeito.
- Você tem poucas chances e...
- Fodam-se as chances, eu vou entrar!
- Bom, precisamos mudar a linha de observação. Pelo que entendi pesquisando as informações aqui, é como mudar de canal. Você vai mudar a estação que ele observa e colocar um outro ponto de outro bairro. Provavelmente vai demorar até ele perceber e pelo que li é comum acontecer isto, ás vezes devido a fatores como manutenção, ás vezes devido ao mal tempo.
- E como faço isto?
- Você precisaria entrar lá.O que já é muito difícil, Mudar algumas configurações do receptor. Pelo que li, há um controle semelhante a um teclado virtual. Você deve utilizar luvas especiais que ao serem tocadas na tela holográfica acionam as opções que o utilitário da luva deseja modificar. Este teclado faz parte da parelhagem receptora e coordena a estação que ele quer obsevar. Ou seja, o canal que ele assiste. Provavelmente terão muitas opções. Você precisará trocar as opções referentes ao nosso perímetro, que foi onde ocorreu o incidente e do perímetro da Torre, para que não vejam o momento em que você supostamente entrará.
- E as luvas?
- Ela são o controle para utilizar o teclado virtual. Com elas você pode aumentar o som, o tamanho, resolução da tela. É o controle. Você tem menos de uma hora pra fazer isto e modificar os canais.Aconselho-te a esperar mais um pouco enquanto tento observar algumas informações e...
- [BANG!] [BARULHO DE DISPARO] ...
- Senhor Ho? Senhor Ho?! O que foi esse som?!
- Minha entrada...
- Mas o que o senhor fez?
- Achei a caixa de fornecimento de energia. E dei um tiro bem no meio da aparelhagem.Se meu plano der certo as colunas Storm não funcionarão e eu conseguirei entrar...
- Mas se a energia for cortada você também não conseguirá acessar os dados lá dentro...
- Relaxa Sapiens eu tenho alguns planos, só preciso que o primeiro dê certo...
- Isso é extremamente perigoso senhor.Você tem certeza que conseguirá chegar lá?
- Nunca saberei se não tentar...
Eu estava com o cú piscando mas deixava meu instinto me levar. Aquela sensação de adrenalina me acompanhava. No momento em que desliguei o fornecimento de energia para o local tudo escureceu. As luzes se apagaram. O próximo passo já com tudo desligado era subir no muro e aí o meu talento falou mais alto. Se tem uma coisa que macaco sabe fazer é pular. Nessas horas acho que qualquer humano pagaria um pau pra mim. Não era bonito um cara da lei pular muros, mas devido às circunstâncias, seria gratificante para qualquer um ver toda a minha acrobacia. Nesse quesito eu era foda.
Após conseguir pular o muro tive de utilizar uma pequena lanterna. Fui me guiando até o salão de vigilância e começei a notar que quanto mais me aproximava mais o dispositivo de comunicação entre eu e o Sapiens dava interferência. Tentava me comunicar com o Sapiens e não conseguia. Estava Salgado. Começei a ficar preocupado mais tinha uma missão a cumprir. Iria até o final.
Enquanto andava pelo corredor da sala de vigilância, encontrava inúmeros fios. Achava estranho já que a rede do satélite era Wireless. Quando entrei a sala maior dei de fente com uma mega aparalhagem em uma sala grandiosa com inúmeras telas de tecnologia de última geração. Eu sabia que lá tinha uma espécie de gerador.Tinha de ter sempre um principalmente para locais em que a vigilância precisa ser 24 horas. E conforme esperado em dois minutos as luzes se ascenderam.
Achei uma caixa pequena de cor preta na frente do teclado virtual. Eram as luvas. Abri a caixa e peguei as luvas. Nas pontas dos dedos uma tecnologia atual que permitia tocar nas linhas holográficas como se fosse tudo concreto. Dava pra ver a vida de muita gente ali naquele local. Pouco me admirava o Stan saber tanto da vida dos outros. Precisava achar as imagens o mais rápido possível. Tentava achar as imagens por data e hora e com um pouco de custo acessei as imagens que queria.
Estava apreensivo. No primeiro momento vi o Sapiens entrar no carro segurado por uns dois homens estranhos que trajavam roupas pretas. Um deles que vinha mais atrás no vídeo tinha uma cartola na cabeça, cabelos lisos e longos.Um óculos escuros. Segurava na mão a arma que o Sapiens segurava quando chegou ao meu apartamento. Tentei apróximar melhor quando o sistema travou. Estava perto de ver o rosto do homem de cartola quando o sistema travou completamente e nada do que eu fazia dava certo. Porém o pior estava por vir...
-[WEENN! WEENN!] [ALARME TOCANDO]
O Alarme soou. Pensei em apagar os arquivos mas nem sabia como fazer isto. Corri feito um louco para a entrada. Agora sim, eu tava fodido.
- Senhor! Senhor! - Chama Sapiens, tentando ouvir Ho.
- Droga finalmente consegui te contactar Sapiens, estava dando interferência, o alarme soou!- Diz Ho correndo feito um louco para porta.
- O que o senhor fez? -
- Nada, eu não fiz nada. Preciso sair daqui o mais rápido possível! - Diz Ho chegando ao portão principal e saltando alguns metros quase como se voasse.
Quando cheguei ao portão dei um pulo grandioso e passei pela porta da frente, caí desajeitado no chão cheio de limo e lama. Enquanto isto o alarme soava e eu me deparava em um grande problema...
- Ho, o que você está fazendo em frente a torre? - Pergunta Stan com o braço cheio de sacolas e assustado com o alarme de invasão.
- Bem..eu...eu...Estava por perto e ouvi o sinal. Resolvi averiguar se não havia ninguém aí dentro.Desde quando está aí fora? - Pergunta com medo de ter sido visto entrando na torre, o senhor Ho.
- Cheguei agora e já tô campado se o oficial souber que entrou alguém aí dentro e roubou nossos arquivos! Estarei no olho da rua! Minha mulher me mata!
- He...He.., entendo... - Responde Ho sem graça.
- Tenho de entrar Ho, segura pra mim os presentes do meu filho. Estas sacolas são importantes. - Diz Stan bastante preocupado.
- Podexar cara...- Diz Ho sem graça.
- Fica na espreita, vamos pegar esse miserável! - Diz Stan se preparando para entrar.
- Concerteza - Diz Ho abaixando a cabeça e desviando do olhar de Stan.
No momento em que o Stan saiu, começei ouvir vozes que saíam das interferências do aparelho de comunicação entre eu e o Sapiens. Uma voz trêmula dizia entre chiados:
- Cuidado Ho, muito Cuidado Ho, Muito Cuidado...
- Mas que droga é essa? - Pensava Ho.
Resolvi me afastar um pouco. Mal sabia eu o que viria logo depois...
- Droga o que é isso? O que são estas vozes? Será a minha consciência?O Stan vai ver tudo, seja lá o que tiver naquela merda...Eu tô ferrado.Cheguei tão perto de ver o que tinha contecido, o que que eu faço agora?
- Hoo! Hooo! - Chama Stan pelo interfone da torre.
- É a voz do Stan! Stan! - Reconhece Ho.
- Não achei ninguém aqui, mas sim muitos fios- Diz Stan. - Que droga é essa?- Indaga Stan ao ver uma caixa ligada aos fios embaixo do receptor com o se fosse um relógio digital.
- Droga, não é possível...- Pensa Alto Ho ao se lembrar de algo. - STAN! - Grita Ho ao interfone - É UMA BOMBA! - Ho sai correndo em seguida.
- Esse homem de cartola...Não é possível! - Pensa alto Stan ao ver a imagem frisada do homem de cartola.
[KABOOM!][BARULHO DE BOMBA EXPLODINDO]
A torre explode e as chamas se alastram pelo quarteirão. Ho é lançado para atrás, jogado pelo impacto da bomba que explodiu a torre por completo.Ainda meio atordoado ele grita:
- CARALHO! PORRA! STAN! STAN! - Grita Ho.
- Senhor Ho, o senhor está bem? - pergunta Sapiens pela linha Neural.
- Explodiram. Eles Explodiram a Torre...Eles explodiram o STAN!
[CONTINUA...]
* Linha Neural é uma espécie de telefone celular do futuro só que em forma de uma linha especial. O cerébro controla as ações, mas só podem ser usados entre duas pessoas. Como um Walk Talk.
domingo, 21 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
BLUE-CITY! BIG BROTHER! - PARTE 05
- Eu tenho que pegar aquelas imagens antes que o Stan as veja ou eu tô fodido. -
- E eu destruído.
- Como vamos pegar as imagens? - diz Ho sentado na poltrona ao lado da janela, muito nervoso.
- Estou raciocinando.- Diz Sapiens fechando a porta e indo direto para NETV.
- Você vai assistir a esta merda enquanto tem um corpo a alguns metros daqui e você é o maior suspeito de te-lo assassinado? - Esbraveja Ho irritado, ao ver Sapiens se dirigindo para a aparelhagem da Netv.
- A NETV não serve apenas para fins de entretenimento senhor Ho, ela também é uma fonte poderosa de informação. - Pondera Sapiens, entrando no sistema do Ciberespaço.
- Que informação Sapiens? Precisamos ir buscar as imagens! - Impões Ho se aproximando de Sapiens.
- E você sabe como? - Indaga Sapiens.
- Mas é claro que...Bem...só o Stan poderia me dizer isto. - Diz Ho abaixando a cabeça.
- É o que imaginei. - Diz Sapiens olhando para a tela do Ciberespaço.
- Você é um robô droga, você não imagina! O que você acha que vai encontrar aí? - Esbraveja Ho sobre o que Sapiens estava fazendo.
- O Ciberespaço é uma fonte inestimável de informações, a séculos atrás os humanos criaram meios neste espaço para pesquisar as mais variadas formas de informação.- Pondera mais uma vez o Sapiens.
- Sim, e o que tem isso? - Pergunta Ho.
- Este sistema se tranformou numa importante peça de reestruturação da sociedade já que as informações ficaram contidas na rede. O nome do sistema mudou e virou uma das maiores fontes de inteligência que já se conheceu. Ele foi personalizado em uma interface holográfica que conversa com você e tenta solucionar todos as suas dúvidas. Ficou popularmente conhecido como Neo-Goo.- Vai dizendo Sapiens e passando várias pesquisas.
- Ele é que nem você então, uma espécie de robô? - Pergunta curioso Ho.
- Não necessariamente. Não chega ser físico.O sistema conservou a idéia dos humanos, mas expandiu os conhecimentos e universalizou as fontes. Aqui encontram-se informações importantíssimas. Dos mais variados tipos de raça. Por ser algo de caráter mundial, o governo não pode impedir que os humanos daqui acessem as fontes de outras raças e países. Mas podem censurar a fonte e entrar numa briga política para que os recriadores do sistema retirem algumas informações. - Explica Sapiens.
- Caralho Sapiens, é muita coisa! - Se expanta Ho ao ver a quantidade de arquvos na tela holográfica.
- É sim, desde que cheguei aqui me interessei por tudo isso e descobri que se existe um meio dos humanos lutarem contra o governo com uma margem de 45% de chance de saírem ileso, é por este sistema. Civis conversam e trocam informações aqui. Estas informações podem ser alteradas por várias e várias vezes. Uma pergunta sobre qualquer tema referente que o Neogoo não saiba pode ser respondida por um usuário.- Explica Sapiens.
- Você consegue saber como recuperar gravações de um satélite nesta coisa? - Pergunta Ho curioso.
- Creio que tenha 10% de chance já que é um sistema do governo humano, mas posso tentar entrar em fontes estrangeiras e saber o que eles discutem sobre a sociedade em que vivemos. - Diz Sapiens antenado nas informações.
- Resumindo, você vai ver se os caras de outros países sabem nos informar sobre o nosso satélite querido sem que o sistema do governo barre as informações já que a fonte é estrangeira? - Pergunta Ho.
- Exatamente. - Afirma Sapiens.
- Oi, meu nome é Neo-Goo, o que deseja me perguntar? - Perguntou Neo-Goo, um sistema de imagem holográfica que emerge da aparelhagem da NETV como se estivesse saindo e um mar de dados e informações, se conectando e brilhando, com aspecto e voz masculina.
- Neo-Goo me forneça toda informação referente ao The Big Eye e o Galaxy Beholder. - Ordena Sapiens, em pé, à frente do sistema Neo-Goo.
- Aguarde...Procurando...Compilando...Carregando...Executando...Encontrado. - Fala Neo-Goo capturando informações provavelmente necessárias que circulam ao seu redor, se agrupando por ordem de importância, como pastas ordenadas.
- São inumeras informações...provavelmente levaria dias para que eu chegasse a uma conclusão e...- Pensa alto Sapiens, colocando a mão no queixo e analisando toda a situação.
- Então agente ta fodido, tem que ser antes do Stan voltar pra lá pra sala de vigilância. - Retruca ainda bastante nervoso Ho.
- Quantas horas faltam para que o Sr, Stan chegue lá? - Perguntou Sapiens.
- Provavelmente daqui à umas duas horas.- Respondeu Ho.
- Pouco tempo. Estaremos perdidos. A não ser que consiga assimilar os pontos básicos corretamente em até uma hora. Se eu me concentrar tenho 50% de chance para terminar em uma hora.- Diz Sapiens olhando para as pastas e analisando rapidamente os pontos principais numa velocidade impressionante.
- Restaria uma hora apenas! Não daria tempo!Que merda! - Esbravejou Ho, coçando a cabeça.
- A não ser que você já estivesse lá, esperando meus direcionamentos. - Sugeriu Sapiens.
- Caralho...isso vai dar em merda... - Retrucou Ho.
- Você poderia ir pra torre de vigilância agora. Me comunicaria com você via linha neural.É a única opção no momento e o tempo é escasso.- Falou Sapiens olhando compenetradamente para os olhos de Ho.
- É o jeito cara. Mas se tudo der em merda. Saiba que você conhece e eu confio mais em você do que nessa cidade inteira. - Disse Ho, colocando a arma no coldre enquanto olhava para Sapiens sorrindo nervoso, de canto de boca .
- Não tenho emoções senhor, mas se tivesse, o mais sensato seria dizer: "Obrigado por confiar em mim, amigo". - Respondeu Sapiens com seu rosto sem expressão de emoção.
- De nada cara. Vou nessa. Tenho um mistério a desvendar... - Diz Ho, pegando a chave da moto e saindo do apartamento.
- E eu destruído.
O que você faria se estivesse sendo vigiado a todo momento? Qual seria a sensação de saber que a sua privacidade teria de se restringir à sua casa e olhe lá ? Que um grande olho humano estava ali sempre por perto e que a qualquer deslize, você seria visto, julgado e muito provavelmente condenado? O que poderia ser feito?
Bem, em minha bela cidade era assim, um reality show constante nas mãos do governo. Tudo começou mais ou menos meio século atrás quando os governantes acharam necessário colocar seus cidadãos sempre sob vigia num regime conhecido como THE BIG EYE. As câmeras, já obsoletas em nossa nova sociedade, foram substituídas pelo mega satélite conhecidos como GB-001, o Galaxy Beholder.
O Galaxy Beholder era um um satélite especial que estava em todos os lugares a todo o momento. Era como se rodássemos um filme ao vivo das vidas de quem passava por cada rua de BLUE-CITY. Sua tecnologia foi criada por um grupo de cientistas do alto escalão. O Beholder gravava, passava em tempo real e em imagem digital e/ou holográfica. Uma maravilha pra quem observava. Um estorvo pra quem era vigiado. A privacidade viraria raridade e se restringiria ao interior das casas de cada um.
Mas porque implantar o The Big Eye?
Os Regentes humanos estavam com o cú na mão, já haviam implodido revoltas e crises devido ao novo plano de governo e os militares uniram força aos cientistas para criarem um sistema que pudesse nos vigiar a todo momento. E cara isso era uma merda.Os caras criaram um monstro. E iriam se arrepender disto...
Tem de se admitir que de décadas para cá a criminalidade diminuiu bastante e as revoltas também cessaram. Não se sabe o que é feito com os vídeos que os observadores pegam, nem o que se faz com os anarquistas e opositores do governo, mas uma coisa é certa: Mexer com o sistema é assinar um atestado de sumiço. Eu tinha informações de inúmeras teorias sobre os desaparecidos de BLUE-CITY, mas eu nunca tinha ligado pra isso. Sabia que detestava os bostas do governo, mas jegue não é viado. Macaco muito menos. Eu não ia me meter com peixe graúdo. Pelo menos era o que eu achava até o Sapiens me aparecer com um presente de grego do caralho.
Eu conhecia o Stan há uns cinco anos e nunca tinha ligado pra saber como era o trabalho dele como patrulheiro observador. Mas sabia que era responsa. O filho da puta quase se mijou de medo uma vez quando um oficial da patrulha chegou lá na DP cobrando umas informações perdidas. Ser humano só faz merda. O Stan então nem se fala. Se bem que o Stan era meio animal também. Irracional.
Já havia até sido discutido no Conselho da Nova Ordem uma lei para robotizar a manutenção das informações colhidas pelo satélite GB. Nunca entendi porque foi vetada a emenda, já que pela lógica reduziria as falhas humanas na operacionalidade em quase 100%. No entanto, o fato que aconteceu com o Sapiens me esclareceu uma coisa. Robôs são inteligentes e se usados por mentes opositoras para usar esta inteligência, poderiam mudar todo panorama da organização social.
Os grandes líderes sabiam que estavam todos no mesmo barco, mas nem todos queriam ir para mesma direção. Naquele momento eu entendi. Humanos não confiavam tanto em robôs como parecia. Muito menos uns nos outros. Mas eu não era humano e nem robô, naquele exato momento eu tinha de ter alguém para confiar, era só o Sapiens e eu...
BLUE-CITY - BAIRRO VONGOLA - APARTAMENTO 13 - 1:20
BLUE-CITY - BAIRRO VONGOLA - APARTAMENTO 13 - 1:20
- Como vamos pegar as imagens? - diz Ho sentado na poltrona ao lado da janela, muito nervoso.
- Estou raciocinando.- Diz Sapiens fechando a porta e indo direto para NETV.
- Você vai assistir a esta merda enquanto tem um corpo a alguns metros daqui e você é o maior suspeito de te-lo assassinado? - Esbraveja Ho irritado, ao ver Sapiens se dirigindo para a aparelhagem da Netv.
- A NETV não serve apenas para fins de entretenimento senhor Ho, ela também é uma fonte poderosa de informação. - Pondera Sapiens, entrando no sistema do Ciberespaço.
- Que informação Sapiens? Precisamos ir buscar as imagens! - Impões Ho se aproximando de Sapiens.
- E você sabe como? - Indaga Sapiens.
- Mas é claro que...Bem...só o Stan poderia me dizer isto. - Diz Ho abaixando a cabeça.
- É o que imaginei. - Diz Sapiens olhando para a tela do Ciberespaço.
- Você é um robô droga, você não imagina! O que você acha que vai encontrar aí? - Esbraveja Ho sobre o que Sapiens estava fazendo.
- O Ciberespaço é uma fonte inestimável de informações, a séculos atrás os humanos criaram meios neste espaço para pesquisar as mais variadas formas de informação.- Pondera mais uma vez o Sapiens.
- Sim, e o que tem isso? - Pergunta Ho.
- Este sistema se tranformou numa importante peça de reestruturação da sociedade já que as informações ficaram contidas na rede. O nome do sistema mudou e virou uma das maiores fontes de inteligência que já se conheceu. Ele foi personalizado em uma interface holográfica que conversa com você e tenta solucionar todos as suas dúvidas. Ficou popularmente conhecido como Neo-Goo.- Vai dizendo Sapiens e passando várias pesquisas.
- Ele é que nem você então, uma espécie de robô? - Pergunta curioso Ho.
- Não necessariamente. Não chega ser físico.O sistema conservou a idéia dos humanos, mas expandiu os conhecimentos e universalizou as fontes. Aqui encontram-se informações importantíssimas. Dos mais variados tipos de raça. Por ser algo de caráter mundial, o governo não pode impedir que os humanos daqui acessem as fontes de outras raças e países. Mas podem censurar a fonte e entrar numa briga política para que os recriadores do sistema retirem algumas informações. - Explica Sapiens.
- Caralho Sapiens, é muita coisa! - Se expanta Ho ao ver a quantidade de arquvos na tela holográfica.
- É sim, desde que cheguei aqui me interessei por tudo isso e descobri que se existe um meio dos humanos lutarem contra o governo com uma margem de 45% de chance de saírem ileso, é por este sistema. Civis conversam e trocam informações aqui. Estas informações podem ser alteradas por várias e várias vezes. Uma pergunta sobre qualquer tema referente que o Neogoo não saiba pode ser respondida por um usuário.- Explica Sapiens.
- Você consegue saber como recuperar gravações de um satélite nesta coisa? - Pergunta Ho curioso.
- Creio que tenha 10% de chance já que é um sistema do governo humano, mas posso tentar entrar em fontes estrangeiras e saber o que eles discutem sobre a sociedade em que vivemos. - Diz Sapiens antenado nas informações.
- Resumindo, você vai ver se os caras de outros países sabem nos informar sobre o nosso satélite querido sem que o sistema do governo barre as informações já que a fonte é estrangeira? - Pergunta Ho.
- Exatamente. - Afirma Sapiens.
Tenho de admitir que o Sapiens era foda. E era estranho também. Os robôs naquela época já haviam chegado ao estágio de andróides e a tentativa das fornecedoras robóticas era tornarem os os robôs cada vez mais humanos possíveis. Eles não sabiam que tavam fazendo merda. Se fosse eu faria todos com cara de macaco. Mas enfim, herdar aparência humana não era o suficiente para distribuidoras. Elas queriam fazer os robês sentirem também. Elas queriam torná-los tão limitados quanto os humanos. Nestas horas eu sentia orgulho de ter comprado um robô em liquidação.
O Sapiens era da época dos robôs gênios. E eu não sabia mas a mídia os tranformaram em robôs obsoletos manipulando a cabeça dos merdas ingênuos. Agora pense comigo: Porque jogar no lixo uma quantidade em massa de robôs ultra-inteligentes que poderiam servir de guarda pessoal para o Imperador? Justamente por que eles pensavam pra caralho.
Os humanos sempre foram egocêntricos e competitivos, não estavam satisfeitos com uma gama de robôs tomando seu espaço. Se os humanos deixassem, robôs como o Sapiens rapidamente fariam o que quisessem e quebrariam com a fonte de dinheiro que mais cresce na sociedade, a robótica. Se o Sapiens continuasse nesta busca pelo conhecimento se tornaria um orgulho pra mim, porém um perigo para sociedade...
- Oi, meu nome é Neo-Goo, o que deseja me perguntar? - Perguntou Neo-Goo, um sistema de imagem holográfica que emerge da aparelhagem da NETV como se estivesse saindo e um mar de dados e informações, se conectando e brilhando, com aspecto e voz masculina.
- Neo-Goo me forneça toda informação referente ao The Big Eye e o Galaxy Beholder. - Ordena Sapiens, em pé, à frente do sistema Neo-Goo.
- Aguarde...Procurando...Compilando...Carregando...Executando...Encontrado. - Fala Neo-Goo capturando informações provavelmente necessárias que circulam ao seu redor, se agrupando por ordem de importância, como pastas ordenadas.
- São inumeras informações...provavelmente levaria dias para que eu chegasse a uma conclusão e...- Pensa alto Sapiens, colocando a mão no queixo e analisando toda a situação.
- Então agente ta fodido, tem que ser antes do Stan voltar pra lá pra sala de vigilância. - Retruca ainda bastante nervoso Ho.
- Quantas horas faltam para que o Sr, Stan chegue lá? - Perguntou Sapiens.
- Provavelmente daqui à umas duas horas.- Respondeu Ho.
- Pouco tempo. Estaremos perdidos. A não ser que consiga assimilar os pontos básicos corretamente em até uma hora. Se eu me concentrar tenho 50% de chance para terminar em uma hora.- Diz Sapiens olhando para as pastas e analisando rapidamente os pontos principais numa velocidade impressionante.
- Restaria uma hora apenas! Não daria tempo!Que merda! - Esbravejou Ho, coçando a cabeça.
- A não ser que você já estivesse lá, esperando meus direcionamentos. - Sugeriu Sapiens.
- Caralho...isso vai dar em merda... - Retrucou Ho.
- Você poderia ir pra torre de vigilância agora. Me comunicaria com você via linha neural.É a única opção no momento e o tempo é escasso.- Falou Sapiens olhando compenetradamente para os olhos de Ho.
Isso seria perigoso pra caralho, mas eu teria de ir até lá. Era isso ou pepino. A única chance de descobrir a verdade e salvar o meu coro era aquela.Naquele momento eu nem reparara, mas seria a primeira vez que eu e o Sapiens trabalharíamos juntos. Fortes emoções me esperavam. E tudo estava só começando...
- É o jeito cara. Mas se tudo der em merda. Saiba que você conhece e eu confio mais em você do que nessa cidade inteira. - Disse Ho, colocando a arma no coldre enquanto olhava para Sapiens sorrindo nervoso, de canto de boca .
- Não tenho emoções senhor, mas se tivesse, o mais sensato seria dizer: "Obrigado por confiar em mim, amigo". - Respondeu Sapiens com seu rosto sem expressão de emoção.
- De nada cara. Vou nessa. Tenho um mistério a desvendar... - Diz Ho, pegando a chave da moto e saindo do apartamento.
[CONTINUA...]
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
BLUE-CITY! HOMO SAPIENS! - PARTE - 04
"As Três Leis da Robótica são leis que foram elaboradas pelo MESTRE em robótica Isaac Asimov, que dirige o comportamento dos robôs. São elas:
- 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
- 2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
- 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis."
- Que porra é essa Sapiens?
- ...
- Eu vou perguntar de novo que porr...
- Eu matei um homem.
Foda. A situação tava foda. Qualquer merda que tenha acontecido naquele dia iria me foder e eu tinha de estar preparado para aquilo. Sapiens permanecia parado olhando diretamente para mim e eu o analisava assustado tentando entender que porra era aquela.
Eu conhecia as leis da robótica de có e saltiado, quase sempre se tinha comerciais do governo local manipulando e direcionando a população a um conservadorismo extremo da raça humana. Os caras tinham medo de deixar de existir. Tivessem pensado nisto antes de impactar a sociedade deles com uma bomba de proporções gigantescas.
Na cidade em que os humanos eram maioria, um crime que transgredisse as leis de Asimov viraria notícia em todo o mundo. As outras nações estavam de olho nos conhecimentos remanescentes dos
Sim. Era cabuloso.
Em 25 anos de existência nunca tinha escutado alguém falar algo sobre um crime que se enquadrasse na área robótica. O máximo que nós, da patrulha, sabíamos que já havia acontecido eram certos defeitos funcionais. As vezes uma lata velha pifava por culpa do proprio dono da máquina. O irresponsável esquecia de organizar e verificar funções básicas do "machine" e neste vacilo a merda tava feita. Robô era que nem carro em épocas antigas, se houvesse problema, a falha era sempre humana. SEMPRE. Grande novidade...
E quais eram os problemas desencadeados por estes erros funcionais? Coisão: Uma casa mal-varrida, o forno que não era controlado e queimava a comida, o filhinho que ficava esperando o robô buscá-lo no colégio e continuava a esperar e esperar porque o pai se esqueceu de algum checkup no robô filho da puta, enfim...
Era NADA perto de um crime relativo a morte. Isto era grave. Gravíssimo.
A pergunta que me fazia era: O que diabos aconteceu com o Sapiens? De quem era aquele sangue? E aquela arma? O que ele fazia naquele horário fora de casa? Eu não sabia. Mas preferia mil vezes ter de ouvir merda do viado do Jorge a saber que justamente o MEU robô havia cometido um crime contra a bosta opressora da raça humana daquela cidade. Quando isso vazasse, eu estaria fudido. A cidade ia tremer e o coro ia comer de com força pra cima do meu lado.
Eu tinha de segurar o cú. Ele já tava na mão.
- Co-co-como é que é rapaz?!!
- Eu matei um homem.
- Que hom...que porra...que é que ta acontecendo aqui? Isso é alguma brincadeira? Você aprendeu com algum comediante de merda a fazer graça robô?
- A probabilidade de ele estar morto neste momento é 100%.
- Caralho SAPIENS! Desde quando você sai de casa na madruga porra! Você está louco?! Como assim o robô tá louco...porra robô não enlouquece..caralho o que é que eu to pensando, eu tenho de fazer algo rápido...onde foi isso Sapiens?CARALHO...
- Aconselho-te a não ir lá pois...
- Aconselho-te é o caralho! Conselho de cu é rola! Eu paguei caro por você!
- Não necessáriamente, que eu saiba eu estava na liquidação e...
- CALA A BOCA! CALA A PORRA DESSA BOCA DE LATA DO CARALHO!
- O senhor que manda, Sr.Ho...
- Cara... porquê? Quem? Você feriu uma lei de Asimov cara...tu vai ser destruído...e eu também!
- Não me lembro de ter ferido nada senhor, apenas alguns flashs me vêm na memória. A única coisa concreta em 100% de informação é que eu segurava a arma e pelas leis da física e meus cálculos o sangue espirrado em meu torax robótico foi jorrado de um disparo efetuado por alguém qu estava na minha posição. Não me lembro do momento exato. Mas há uma possíbilidade de 99,7% de que eu tenha sido o autor do disparo.
- Puta que pariu...Alguém te viu entrando aqui assim? Todo sujo?
- Observei o perímetro com sucesso.
- E?
- Nenhum ser encontrado.
- Porra como assim ninguém?
- Eu não me lembro de nada entre ás 8:15 e às 12:50. No entanto há câmeras na zona B-35 referente ao nosso perímetro. O que quer que tenha acontecido naquele local, tudo foi gravado.
- As imagens são vistas pelo operador vigilante...Hoje quem iria fazer esta ronda era o Stan...Ele estava comigo tomando umas, o que significa que ele deu um migué na ronda de hoje.
- A ultima coisa que lembro foi de estar assistindo a NETV* e logo após a imagem do homem caindo ao meu colo. Eu com a arma na mão. Ainda tentei ajudá-lo mas ele morreu exatamente 5 segundos depois. Calculei os contratempos de ser visto por mais alguém no local naquelas situações. Deixei o corpo lá e saí. Não omiti socorro, já não tinha mais o que fazer.
- Eu tenho que pegar aquelas imagens antes que o Stan as veja ou eu tô fodido.
- E eu destruído.
- [AMBOS SE ENTREOLHAM, HO NERVOSO COM A SITUAÇÃO, SAPIENS ANALÍTICO COM AS CONSEQUÊNCIAS...]
Não vou mentir que fiquei sem reação. Salgado ao extremo. Aquela história estava mal contada. Não sei se o Sapiens era do tipo que matava homens. Mas o que quer que tenha acontecido eu teria de investigar rápido. E me safar o mais rápido ainda. Eu começava a entrar em uma grande privada rotativa que atirava merda pra todo lado. Mas se é pra feder, eu iria mexer naquela merda até descobrir a verdade...
[CONTINUA...]
NETV - Rede de canais interativos e informacionais. Uma espécie de Televisão futurísica, digital e holográfica.
BLUE-CITY! CRISE EXISTENCIAL! - PARTE - 03
BLUE-CITY - BAIRRO VONGOLA - APARTAMENTO 13 - 1:00
Eu tinha viajado com minhas idéias vingativas sobre o Jorge que nem tinha notado que o Sapiens havia saído quando cheguei em casa. Como sempre fazia, colocava a POLICARD* em cima da mesinha com a perna quebrada, no centro da sala de meu humilde e pequeno apartamento. Olhava-me no espelho e pensava comigo:
"Que desgraça é essa?!"
Sim, queridos. Não é fácil mentir pra si mesmo. Eu era um macaco. Me orgulhava disto, mas...Eu era diferente. Para aquele bando de merda, eu era um nada! Sabia que não era o único nesta situação, mas naquele momento nem notava isto.Conviver com a humilhação é um misto de ser correto e ter vergonha por isso. Ser direcionado a ter vergonha por isso. Por ser diferente.
Quantas vezes seu orgulho lhe iludiu tentando fazer você pensar que é alguém sem problemas? Alguém Feliz? Pois é, queria eu ser um merda de um alienado iludido o tempo todo.Queria eu dizer pra todo mundo, todo dia e toda hora: Fodam-se viados, falem o que quiser, eu não ligo. E eu até vinha fazendo isso. Mas aquele dia no bar era só mais um retrato de algo consequente em minha vida. Eu podia não dar o braço a torcer mais meu orgulho tava ferido.Meu orgulho de macaco, o que é mais precioso.
O filho da puta do Jorge ainda tinha de me falar aquelas respostinhas de cuzão.Cara, eu tava puto.Muito Puto. Já tinha fechado com o certo. Ser qualquer coisa que não humano, que não igual a sociedade, pra mim já era motivo de orgulho.Eu sabia que de baixo daqueles pelos e daquela aparência símia existia uma cuca legal, um cara inteligente, alguém com algum valor. Mas a sociedade cumpadi, é foda. Ta Salgado. Aquela droga de sociedade era severa. Cruel. Ela só queria saber do "venha nós".
Era difícil pra mim, detestava me prostrar diante a uma mera crise existencialista.Mas porra! Eu sou um macaco. Não por completo, eu sei. Mas todo mundo sabe que quanto mais diferente você é, menos indiferente as pessoas ficam. Elas querem participar de sua vida, mas contribuindo pro seu fracasso. Elas querem que você seja a fonte de orgulho próprio delas, pois para que sejam auto-suficientes precisam se sentir melhor que os outros. Precisam humilhar quem é diferente. Ser diferente não é ser legal. Ser diferente é ser avaliado, criticado, testado e muitas das vezes reprovado.
Ao me olhar no espelho todo santo dia, eu pensava em que resposta eu teria de dar pra mais um filho da puta que viesse me dizer uma piadinha. A quem eu queria iludir? Eu não era nada para eles e tinha de estar atento a isso. Mas quer saber pra onde eu olhava depois de me ver no espelho? Pra torre mais alta da cidade de BLUE-CITY que ficava de vista para meu apartamento: O palácio do Imperador. Quanto não se demorou para construí-la? Diziam que foi construída sob pulso firme do imperador pois todos desaconselhavam. Mas ela tava lá. Bonita pra caralho. E olha que beleza é subjetivo, nem sempre se agrada a todos. Mas com uma imponência daquela, com uma originalidade dessas, pouco importa a beleza, pouco importa o que foi que aconteceu, como foi feito.
Olhava também para o quadro de um dos representantes de minha raça que lutou pelos nossos direitos. Muito Foda o cara. Joseph Mahut. Eu nem em sonhos pensaria que chegaria a lutar ao lado dele.Mas fica pra uma outra hora explicar a história desse tigre. Alguém que impôs respeito, um cara que chegou lá.
Se você chegou ao topo meu chapa, eles vão ter que te respeitar. E era pra lá que eu mirava. Era pra lá que eu iria, fosse por bem, fosse por mal...
Era vergonhoso ter estas crises de viadinho, admito. Mas naquela época, era normal. O que deve ser levado em conta é que em um mundo tão pilhado como o que eu estava, uma hora você acaba cedendo às pressões e viaja. Pra se ter uma simples idéia mais da metade da população que restava tinha alguma patologia psicológica. Não sou perito nisto, mas sei que cada um tinha o seu surto. E vai por mim. Perto do de alguns, os meus problemas eram fichinha...
Sabe o Sapiens, pois é, o cara era quase um Freud. Nestes e em outros assuntos: sociedade, política, psicologia...E eu me aproveitava disto, precisava mesmo ter alguém pra conversar.O mundo tava me deixando pirado e o Sapiens me ajudava a ficar "tranks". Mas o forte do Sapiens na realidade não era o pensamento socio-político. O modelo do Sapiens foi feito para tomar decisões importantes. Auxiliar o seu dono a fazer as escolhas com maior margem de acerto diante das situações. Tomar decisões difíceis.Eu vivia precisando dele para isto.
Porém tudo mudaria quando eu visse o Sapiens passar por aquela porta com uma pistola na mão, a lataria toda suja de sangue e uma expressão robótica que, se humana, eu chamaria de cara de cú. Se o sapiens tivesse cú, este, estaria na mão dele.
Desta vez quem teria de tomar decisões difíceis seria eu. E quando eu tomo decisões, as consequências são severas...
[CONTINUA...]
*POLICARD: Espécie de carteira identificadora e oficializadora dos políciais patrulheiros de BLUE-CITY.
Eu tinha viajado com minhas idéias vingativas sobre o Jorge que nem tinha notado que o Sapiens havia saído quando cheguei em casa. Como sempre fazia, colocava a POLICARD* em cima da mesinha com a perna quebrada, no centro da sala de meu humilde e pequeno apartamento. Olhava-me no espelho e pensava comigo:
"Que desgraça é essa?!"
Sim, queridos. Não é fácil mentir pra si mesmo. Eu era um macaco. Me orgulhava disto, mas...Eu era diferente. Para aquele bando de merda, eu era um nada! Sabia que não era o único nesta situação, mas naquele momento nem notava isto.Conviver com a humilhação é um misto de ser correto e ter vergonha por isso. Ser direcionado a ter vergonha por isso. Por ser diferente.
Quantas vezes seu orgulho lhe iludiu tentando fazer você pensar que é alguém sem problemas? Alguém Feliz? Pois é, queria eu ser um merda de um alienado iludido o tempo todo.Queria eu dizer pra todo mundo, todo dia e toda hora: Fodam-se viados, falem o que quiser, eu não ligo. E eu até vinha fazendo isso. Mas aquele dia no bar era só mais um retrato de algo consequente em minha vida. Eu podia não dar o braço a torcer mais meu orgulho tava ferido.Meu orgulho de macaco, o que é mais precioso.
O filho da puta do Jorge ainda tinha de me falar aquelas respostinhas de cuzão.Cara, eu tava puto.Muito Puto. Já tinha fechado com o certo. Ser qualquer coisa que não humano, que não igual a sociedade, pra mim já era motivo de orgulho.Eu sabia que de baixo daqueles pelos e daquela aparência símia existia uma cuca legal, um cara inteligente, alguém com algum valor. Mas a sociedade cumpadi, é foda. Ta Salgado. Aquela droga de sociedade era severa. Cruel. Ela só queria saber do "venha nós".
Era difícil pra mim, detestava me prostrar diante a uma mera crise existencialista.Mas porra! Eu sou um macaco. Não por completo, eu sei. Mas todo mundo sabe que quanto mais diferente você é, menos indiferente as pessoas ficam. Elas querem participar de sua vida, mas contribuindo pro seu fracasso. Elas querem que você seja a fonte de orgulho próprio delas, pois para que sejam auto-suficientes precisam se sentir melhor que os outros. Precisam humilhar quem é diferente. Ser diferente não é ser legal. Ser diferente é ser avaliado, criticado, testado e muitas das vezes reprovado.
Ao me olhar no espelho todo santo dia, eu pensava em que resposta eu teria de dar pra mais um filho da puta que viesse me dizer uma piadinha. A quem eu queria iludir? Eu não era nada para eles e tinha de estar atento a isso. Mas quer saber pra onde eu olhava depois de me ver no espelho? Pra torre mais alta da cidade de BLUE-CITY que ficava de vista para meu apartamento: O palácio do Imperador. Quanto não se demorou para construí-la? Diziam que foi construída sob pulso firme do imperador pois todos desaconselhavam. Mas ela tava lá. Bonita pra caralho. E olha que beleza é subjetivo, nem sempre se agrada a todos. Mas com uma imponência daquela, com uma originalidade dessas, pouco importa a beleza, pouco importa o que foi que aconteceu, como foi feito.
Olhava também para o quadro de um dos representantes de minha raça que lutou pelos nossos direitos. Muito Foda o cara. Joseph Mahut. Eu nem em sonhos pensaria que chegaria a lutar ao lado dele.Mas fica pra uma outra hora explicar a história desse tigre. Alguém que impôs respeito, um cara que chegou lá.
Se você chegou ao topo meu chapa, eles vão ter que te respeitar. E era pra lá que eu mirava. Era pra lá que eu iria, fosse por bem, fosse por mal...
Era vergonhoso ter estas crises de viadinho, admito. Mas naquela época, era normal. O que deve ser levado em conta é que em um mundo tão pilhado como o que eu estava, uma hora você acaba cedendo às pressões e viaja. Pra se ter uma simples idéia mais da metade da população que restava tinha alguma patologia psicológica. Não sou perito nisto, mas sei que cada um tinha o seu surto. E vai por mim. Perto do de alguns, os meus problemas eram fichinha...
Sabe o Sapiens, pois é, o cara era quase um Freud. Nestes e em outros assuntos: sociedade, política, psicologia...E eu me aproveitava disto, precisava mesmo ter alguém pra conversar.O mundo tava me deixando pirado e o Sapiens me ajudava a ficar "tranks". Mas o forte do Sapiens na realidade não era o pensamento socio-político. O modelo do Sapiens foi feito para tomar decisões importantes. Auxiliar o seu dono a fazer as escolhas com maior margem de acerto diante das situações. Tomar decisões difíceis.Eu vivia precisando dele para isto.
Porém tudo mudaria quando eu visse o Sapiens passar por aquela porta com uma pistola na mão, a lataria toda suja de sangue e uma expressão robótica que, se humana, eu chamaria de cara de cú. Se o sapiens tivesse cú, este, estaria na mão dele.
Desta vez quem teria de tomar decisões difíceis seria eu. E quando eu tomo decisões, as consequências são severas...
[CONTINUA...]
*POLICARD: Espécie de carteira identificadora e oficializadora dos políciais patrulheiros de BLUE-CITY.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
BLUE-CITY! CAPA DE JORNAL! - PARTE 02
BLUE-CITY - 21:00 - Bar Vongola
Naquele tempo eu não tinha muito dinheiro. Normal, tinha humano passando necessidade, não ia ter um macaco? Bem, isso não era motivo pra eu fazer merda. Sabia poupar a grana, só que neste planeta se tem uma coisa que todo mundo tem é um vício. E sim, eu tinha os meus também.
Na esquina de minha humilde residência existia um bar, frequêntado por muitos policiais e eu era um deles...
- Eae Ho!
- Yô!Como vai Stan?
- De boa, já viu isso no jornal?
- E eu lá leio o que humano escreve seu porra...
- Te fuder rapá, haha...
- Hahah, deixa eu vê isso aqui Stan...
- Eu acho que tem gente aqui que virou herói...hehe!
- " Patrulheiro salva garota de mais uma tentativa de estupro no Bairro da Liberdade ...O Patrulheiro Jorge Silverman, filho do ex-combatente Donovan Silverman , foi o interceptor da tentativas dos estupradores com a ajuda de seu pequeno escudeiro o bestial Ho Hoko..."
- E aí sancho pança*, curtiu ?
- Vai a merda seu bêbado desgraçado! Porra! Eu me fodi pra pegar o outro vagabundo que saiu correndo e sou chamado de "Pequeno escudeiro"? Escudeiro é o caralho mermão...Porra![IRRITADO]
- Hahahah! Calma símio...ta esquentando cú com rola fina...
- Eu te perguntei alguma coisa cara? Váaa...váaa.se fuder...; Bob!! Manda uma Breja aí pra mim, depois de uma dessas eu vo ter que tomar umas...
- Hahahha! é dois então, Bob, manda uma gelada pra cá também!
Eu até gostava de ser chamado de macaco, mas de "pequeno escudeiro", você ta de brincadeira comigo, Isso me deixava Puto! Esta história de estar sempre em último lugar tava me deixando pirado.Eu tinha de tomar uma providência e nada melhor do que tomar todas pra começar a falar umas verdades praquele monte de bosta...
- E...olha quem vem chegando aí Ho, é o Jorge! Eaí Jorge!
- Eae Stan!, como é que vai a força?
- De boa...Já leu o jornal?
- Haha! Amanhã eu devo ganhar um aumento, segunda vez na semana saindo de herói no jornal...
- Você conhece! E o Ho é o seu PEQUENO ESCUDEIRO! Haahaha!
- Hahahaah! SEEEMPRE!!
- Fala alguma coisa aí Ho...
- Alguma coisa...
- Se eu fosse você eu não ficava tão irritado... Afinal você é MEU fiel escudeiro. Quer maior honraria que esta?
- Jorge, você sabe que eu tô cagando e andando pra sua droga de jornal. Esta mídia manipuladora e sensacionalista do caralho, preconceituosa pra caramba, não me afeta mais.
- Eu não tenho culpa se meu trabalho é mais bem apreciado e valorizado do que o seu Gato [IRÔNIA].
- Você deve ta é cumendo o cú do diretor desta merda. Na boa cara, não fala nada comigo pelas próximas oito horas que nos separam da próxima patrulha.
- Hahaha! O cara ta pirado mermo Jorge, Cuidado com o macaco sacana...!
- Sim, terei cuidado com macaquinho de pirata...Ho, o mais alto que tu vai chegar é no topo de meu ombro parcero, que é onde fica macaquinho de pirata. Hehehe! [FALA OLHANDO NOS OLHOS DE HO]
Não vou mentir que me deu vontade de ar uns paus naquele merda. Mas não ia dar esta moral pra quele filho da puta. Além do mais eu realmente tava com vontade de tomar umas brejas naquele dia. O Jorge ainda ia se fuder em minha mão, eu não sou um cara vingativo, mas sou orgulhoso pra caralho e não aceito insulto fácil não. Até onde sabia aquele jornalzinho de quinta tava falindo.
Você acha aque numa sociedade onde a tecnologia cria utensílios pra te informar de qualquer coisa, a qualquer hora e em qualquer lugar, alguém precisa de jornal? Pois é, mas "cultura" é cultura. E aquela porra ainda funcionava. A vontade que eu tinha era de entrar na redação daquele jornal e sair atirando em todo mundo. Só que eu não era burro, nem doido. Mas conhecia alguém que unia estas duas "qualidades" e era feliz assim...
Naquele dia eu pensei nisto mas não deixei meu instinto me levar. O que viria depois seria uma sucessão de fatos, desencadeados por aquele pensamento. O que prova que a melhor maneira de se evitar uma merda é nem pensar em fazê-la. Depois de algum tempo eu parei pra pensar nisto e refleti: Merdas cagadas retornam ao cú? Que se foda. Eu era pago para ser policial não pra filosofar...
O nome do Jornal era New Order, todo mundo sabe que um jornal pode ferrar com a vida de um cara. A minha era difícil, já tinha nascido ferrado. Os meios demanipulação comunicação não são apenas informativos e investigativos. Eu não entendia, mas demoraria apenas uma noite para começar a compreender o porquê da fama do Jorge e, este é sim um fato importante, porquê no dia seguinte, eu descobriria a chave pra minha graduação histórica de Investigador Federal. Para isso três peças seriam importantes:
Lembram-se do Sapiens? Pois é, ele seria importantíssimo nesta maracutaia toda.Nunca pensei que um robô comprado na liquidação me seria tão útil. Santo Sapiens!
Lembram-se do Jorge? Eu não sabia ainda, mas se o máximo que chegaria era ao topo do ombro dele, como macaquinho de Pirata, eu ia pisar naquela porra de ombro até colocar ele pra baixo. Na verdade, eu nem precisaria...
Lembram-se do jornal New Order? Pois bem, eu disse que eles poderiam ferrar com a vida de alguém, sim eles PODERIAM, pois o que vou lhes dizer é como ALGUÉM conseguiu ferrar com aquele Jornalzinho de merda..
* Sancho Pança era o Fiel escudeiro de Dom Quixote de La Mancha.
[CONTINUA...]
Naquele tempo eu não tinha muito dinheiro. Normal, tinha humano passando necessidade, não ia ter um macaco? Bem, isso não era motivo pra eu fazer merda. Sabia poupar a grana, só que neste planeta se tem uma coisa que todo mundo tem é um vício. E sim, eu tinha os meus também.
Na esquina de minha humilde residência existia um bar, frequêntado por muitos policiais e eu era um deles...
- Eae Ho!
- Yô!Como vai Stan?
- De boa, já viu isso no jornal?
- E eu lá leio o que humano escreve seu porra...
- Te fuder rapá, haha...
- Hahah, deixa eu vê isso aqui Stan...
- Eu acho que tem gente aqui que virou herói...hehe!
- " Patrulheiro salva garota de mais uma tentativa de estupro no Bairro da Liberdade ...O Patrulheiro Jorge Silverman, filho do ex-combatente Donovan Silverman , foi o interceptor da tentativas dos estupradores com a ajuda de seu pequeno escudeiro o bestial Ho Hoko..."
- E aí sancho pança*, curtiu ?
- Vai a merda seu bêbado desgraçado! Porra! Eu me fodi pra pegar o outro vagabundo que saiu correndo e sou chamado de "Pequeno escudeiro"? Escudeiro é o caralho mermão...Porra![IRRITADO]
- Hahahah! Calma símio...ta esquentando cú com rola fina...
- Eu te perguntei alguma coisa cara? Váaa...váaa.se fuder...; Bob!! Manda uma Breja aí pra mim, depois de uma dessas eu vo ter que tomar umas...
- Hahahha! é dois então, Bob, manda uma gelada pra cá também!
Eu até gostava de ser chamado de macaco, mas de "pequeno escudeiro", você ta de brincadeira comigo, Isso me deixava Puto! Esta história de estar sempre em último lugar tava me deixando pirado.Eu tinha de tomar uma providência e nada melhor do que tomar todas pra começar a falar umas verdades praquele monte de bosta...
- E...olha quem vem chegando aí Ho, é o Jorge! Eaí Jorge!
- Eae Stan!, como é que vai a força?
- De boa...Já leu o jornal?
- Haha! Amanhã eu devo ganhar um aumento, segunda vez na semana saindo de herói no jornal...
- Você conhece! E o Ho é o seu PEQUENO ESCUDEIRO! Haahaha!
- Hahahaah! SEEEMPRE!!
- Fala alguma coisa aí Ho...
- Alguma coisa...
- Se eu fosse você eu não ficava tão irritado... Afinal você é MEU fiel escudeiro. Quer maior honraria que esta?
- Jorge, você sabe que eu tô cagando e andando pra sua droga de jornal. Esta mídia manipuladora e sensacionalista do caralho, preconceituosa pra caramba, não me afeta mais.
- Eu não tenho culpa se meu trabalho é mais bem apreciado e valorizado do que o seu Gato [IRÔNIA].
- Você deve ta é cumendo o cú do diretor desta merda. Na boa cara, não fala nada comigo pelas próximas oito horas que nos separam da próxima patrulha.
- Hahaha! O cara ta pirado mermo Jorge, Cuidado com o macaco sacana...!
- Sim, terei cuidado com macaquinho de pirata...Ho, o mais alto que tu vai chegar é no topo de meu ombro parcero, que é onde fica macaquinho de pirata. Hehehe! [FALA OLHANDO NOS OLHOS DE HO]
Não vou mentir que me deu vontade de ar uns paus naquele merda. Mas não ia dar esta moral pra quele filho da puta. Além do mais eu realmente tava com vontade de tomar umas brejas naquele dia. O Jorge ainda ia se fuder em minha mão, eu não sou um cara vingativo, mas sou orgulhoso pra caralho e não aceito insulto fácil não. Até onde sabia aquele jornalzinho de quinta tava falindo.
Você acha aque numa sociedade onde a tecnologia cria utensílios pra te informar de qualquer coisa, a qualquer hora e em qualquer lugar, alguém precisa de jornal? Pois é, mas "cultura" é cultura. E aquela porra ainda funcionava. A vontade que eu tinha era de entrar na redação daquele jornal e sair atirando em todo mundo. Só que eu não era burro, nem doido. Mas conhecia alguém que unia estas duas "qualidades" e era feliz assim...
Naquele dia eu pensei nisto mas não deixei meu instinto me levar. O que viria depois seria uma sucessão de fatos, desencadeados por aquele pensamento. O que prova que a melhor maneira de se evitar uma merda é nem pensar em fazê-la. Depois de algum tempo eu parei pra pensar nisto e refleti: Merdas cagadas retornam ao cú? Que se foda. Eu era pago para ser policial não pra filosofar...
O nome do Jornal era New Order, todo mundo sabe que um jornal pode ferrar com a vida de um cara. A minha era difícil, já tinha nascido ferrado. Os meios de
Lembram-se do Sapiens? Pois é, ele seria importantíssimo nesta maracutaia toda.Nunca pensei que um robô comprado na liquidação me seria tão útil. Santo Sapiens!
Lembram-se do Jorge? Eu não sabia ainda, mas se o máximo que chegaria era ao topo do ombro dele, como macaquinho de Pirata, eu ia pisar naquela porra de ombro até colocar ele pra baixo. Na verdade, eu nem precisaria...
Lembram-se do jornal New Order? Pois bem, eu disse que eles poderiam ferrar com a vida de alguém, sim eles PODERIAM, pois o que vou lhes dizer é como ALGUÉM conseguiu ferrar com aquele Jornal
* Sancho Pança era o Fiel escudeiro de Dom Quixote de La Mancha.
[CONTINUA...]
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
BLUE-CITY! EU SOU UM MACACO! - PARTE 01
Cidade de Blue City - 10:30 - Palácio do Imperador
Meu nome é Ho Hoko, sou um investigador policial e minha missão é desvendar crimes e fatos que ninguém consegue. Na verdade, esta é a missão que eles querem que eu siga, mas o meu objetivo é mostrar que sou melhor do que eles. Eles, os humanos...
A muito tempo, meus primos, humanos puros, acreditavam que seriam sempre os únicos a manipular a inteligência. Mas cá entre nós: O que há de inteligente em destruir sua própria raça?
Pois bem, foi investigando os humanos e meu passado, que desvendei um pequeno mistério que acaba de me colocar em uma grande merda...
BLUE-CITY-10 anos atrás...
No começo de minha jornada trabalhava como policial, me chamavam de Monk. Acho que era algum tipo e abreviação para macaco em inglês, que se dane, eu era um. E me orgulhava disto...
- Vamos gatinha...tira a blusinha!
- Hehe! deixa eu ver o peitinho dela Cícero...
- Sai pra lá viado, essa aqui é só minha, hehehe!
- [DESESPERO] Por favor! Pelo amor de Deus! Deixem eu ir embora, podem levar o que quiserem mas não...
- Olha aqui no meu olho vadia! Sabe o que eu vou levar de você?
- Nã-não...
- Um pedaço desta porra que tu chama de...
- [ SOCO FORTE] Tu vai levar é porrada seu merda! Num deixa ele fugir não! não deixa ele fugir não! Pega Ele! Vai macaco!
- [ESPANTO] Ahh, Ahh! O que é você, quem é você?!
- [HO CORRE ATRÁS DO VAGABUNDO] Surpreso viadinho?! Pensou que corria mais que eu? Eu sou macaco véi parcero,[PULA POR CIMA DO BANDIDO, DERRUBANDO-O] É isso que você faz com mulher né seu bosta?! Então receba um pouco da minha gratidão! [SOCOS SEQUENCIAIS NO ROSTO]
- Tá bom, tá bom, Monk...
- Porque você pode bater até o cara apagar e eu só posso dar uns tabefes?
- É a lei gato[IRÔNIA]...
- Lei de cu é rola...
- Oha o respeito chimpanzé...
- A porra do gorila em suas costas, Jorge...
Naquela época eu era apenas o segundo no comando, o que em uma dupla não quer dizer NADA. O Jorge vivia se vangloriando de tudo.Era um filhinho de Ex-combatente a terceira guerra. Não vô mentir que o cara era presença, mas era mó arrogante. Mesmo assim, fodão. Porra ele era humano! E eu era uma mistura nada, nada agradável para a sociedade.
As garotas viviam dando bola para o Jorge, de mim elas achavam graça. Eu era um verdadeiro bobo da corte naquela época."O macaquinho do Aladim", "o amigo do Tarzan", "Macaquinho de Pirata" sempre o coadjuvante. E o Jorge, óbvio, o protagonista. Ninguém lia lenda chinesa naquela merda de bairro. Na china existia macaco herói.
Mas que se dane, hoje em dia não existe nem mais China...
Eu e Jorge trabalhavámos juntos a dois anos. Faziamos parte da patrulha defensiva, ganhavamos pouco, mas viviamos bem. Ele mais ainda, filhinhoda puta de papai. Quem era policial naquela zona de BLUE-CITY era abençoado. Tinha bandido pra caramba e a popularidade dos mais bem sucedidos em suas missões só aumentava.
DKR-73 era o modelo de um dos meus melhores amigos, O Sapiens. Sim, meu melhor amigo era um robô com nome de primitivo ( fui eu quem coloquei este nome nele), mas não era um robô qualquer. Num mundo em que a raça humana faz merda a cada dia, aumenta-se as vítimas de doenças, surge uma nova guerra, um novo vírus, uma nova descoberta e um novo problema, a cabeça de qualquer um ficaria uma merda. Imagine a de um macaco? Melhor. Meio- Macaco (Detesto ser chamado de meio-humano).
Sapiens era um modelo já obsoleto. Mas eu não tinha dinheiro pra coisa melhor. Pra quem alcançou a época em que eu vivo, os robôs tomaram conta da sociedade. Basta dizer que a cada 10 coisas compradas por um humano, 5 são robôs. Não, a economia não melhorou a ponto de termos muito dinheiro para gastar com futilidades. Muito pelo contrário, humano só faz merda, a economia ta uma catástrofe, mas a tecnologia, esta está uma maravilha! A coisa mais normal do mundo é um robô! Todos tem!
Pra você ver como é normal, eu tenho! E olha que pra eu ter alguma coisa eu tenho de me fuder todo!Bem, como ia dizendo, o Sapiens é enquadrado na 7º geração dos robôs: Os andróides racionalmente conscientes.
Sim, meu robô age como qualquer humano estúpido. Ele fala, anda, ouve, responde, pensa, faz coisas legais e também algumas merdas. Ou seja: Quase um humano, excetuando as coisas legais que são propriedades só dos robôs...
Como disse, Sapiens é um cara normal. Sua diferença para os outros robôs que já chegam a 13º geração, são os sentimentos. Ele não sente porra nenhuma. O cara é sincero pra caralho! Ele pode te responder algo que faça feliz ou te destruir em menos de 10 segundos. E o pior é que ele veio com um probleminha: Enquanto os outros do seu modelo são usados para ajudar a tomar decisões difíceis cauculando a margem de possibilidade de sua escolha ser a correta ou não, o Sapien SEMPRE vê o lado negativo. Na verdade ele diz que estou sendo omissivo em relação as verdades da vida. Mas o cara é foda.
Resumindo: Sapien é o meu melhor amigo. O único que me conhece de verdade e que conversa comigo, é uma espécie de conselheiro em todos os sentidos e me ajuda a conviver numa sociedade defasada pelas aparências, convenções e seus vícios. Uma coisa legal do Sapiens é que apesar de ter vindo como um robô supersincero, isto lhe gerou uma característica marcante, a crítica real a sociedade.
A companhia que o produzia faliu após outros robôs terem aprsentados os mesmos problemas. Não por conta da falta de qualidade nos robôs, mas sim porque estes robôs denunciavam a verdade por trás da política e do mundo conteporâneo. Imagine você, me robô um ser pensante e alfabetizado políticamente, que processa informações e soluções para todos os meus problemas. Até então eu não sabia mas Sapiens se tornaria minha maior arma contra aquela droga de cidade...
[CONTINUA...]
Meu nome é Ho Hoko, sou um investigador policial e minha missão é desvendar crimes e fatos que ninguém consegue. Na verdade, esta é a missão que eles querem que eu siga, mas o meu objetivo é mostrar que sou melhor do que eles. Eles, os humanos...
A muito tempo, meus primos, humanos puros, acreditavam que seriam sempre os únicos a manipular a inteligência. Mas cá entre nós: O que há de inteligente em destruir sua própria raça?
Pois bem, foi investigando os humanos e meu passado, que desvendei um pequeno mistério que acaba de me colocar em uma grande merda...
BLUE-CITY-10 anos atrás...
No começo de minha jornada trabalhava como policial, me chamavam de Monk. Acho que era algum tipo e abreviação para macaco em inglês, que se dane, eu era um. E me orgulhava disto...
- Vamos gatinha...tira a blusinha!
- Hehe! deixa eu ver o peitinho dela Cícero...
- Sai pra lá viado, essa aqui é só minha, hehehe!
- [DESESPERO] Por favor! Pelo amor de Deus! Deixem eu ir embora, podem levar o que quiserem mas não...
- Olha aqui no meu olho vadia! Sabe o que eu vou levar de você?
- Nã-não...
- Um pedaço desta porra que tu chama de...
- [ SOCO FORTE] Tu vai levar é porrada seu merda! Num deixa ele fugir não! não deixa ele fugir não! Pega Ele! Vai macaco!
- [ESPANTO] Ahh, Ahh! O que é você, quem é você?!
- [HO CORRE ATRÁS DO VAGABUNDO] Surpreso viadinho?! Pensou que corria mais que eu? Eu sou macaco véi parcero,[PULA POR CIMA DO BANDIDO, DERRUBANDO-O] É isso que você faz com mulher né seu bosta?! Então receba um pouco da minha gratidão! [SOCOS SEQUENCIAIS NO ROSTO]
- Tá bom, tá bom, Monk...
- Porque você pode bater até o cara apagar e eu só posso dar uns tabefes?
- É a lei gato[IRÔNIA]...
- Lei de cu é rola...
- Oha o respeito chimpanzé...
- A porra do gorila em suas costas, Jorge...
Naquela época eu era apenas o segundo no comando, o que em uma dupla não quer dizer NADA. O Jorge vivia se vangloriando de tudo.Era um filhinho de Ex-combatente a terceira guerra. Não vô mentir que o cara era presença, mas era mó arrogante. Mesmo assim, fodão. Porra ele era humano! E eu era uma mistura nada, nada agradável para a sociedade.
As garotas viviam dando bola para o Jorge, de mim elas achavam graça. Eu era um verdadeiro bobo da corte naquela época."O macaquinho do Aladim", "o amigo do Tarzan", "Macaquinho de Pirata" sempre o coadjuvante. E o Jorge, óbvio, o protagonista. Ninguém lia lenda chinesa naquela merda de bairro. Na china existia macaco herói.
Mas que se dane, hoje em dia não existe nem mais China...
Eu e Jorge trabalhavámos juntos a dois anos. Faziamos parte da patrulha defensiva, ganhavamos pouco, mas viviamos bem. Ele mais ainda, filhinho
DKR-73 era o modelo de um dos meus melhores amigos, O Sapiens. Sim, meu melhor amigo era um robô com nome de primitivo ( fui eu quem coloquei este nome nele), mas não era um robô qualquer. Num mundo em que a raça humana faz merda a cada dia, aumenta-se as vítimas de doenças, surge uma nova guerra, um novo vírus, uma nova descoberta e um novo problema, a cabeça de qualquer um ficaria uma merda. Imagine a de um macaco? Melhor. Meio- Macaco (Detesto ser chamado de meio-humano).
Sapiens era um modelo já obsoleto. Mas eu não tinha dinheiro pra coisa melhor. Pra quem alcançou a época em que eu vivo, os robôs tomaram conta da sociedade. Basta dizer que a cada 10 coisas compradas por um humano, 5 são robôs. Não, a economia não melhorou a ponto de termos muito dinheiro para gastar com futilidades. Muito pelo contrário, humano só faz merda, a economia ta uma catástrofe, mas a tecnologia, esta está uma maravilha! A coisa mais normal do mundo é um robô! Todos tem!
Pra você ver como é normal, eu tenho! E olha que pra eu ter alguma coisa eu tenho de me fuder todo!Bem, como ia dizendo, o Sapiens é enquadrado na 7º geração dos robôs: Os andróides racionalmente conscientes.
Sim, meu robô age como qualquer humano estúpido. Ele fala, anda, ouve, responde, pensa, faz coisas legais e também algumas merdas. Ou seja: Quase um humano, excetuando as coisas legais que são propriedades só dos robôs...
Como disse, Sapiens é um cara normal. Sua diferença para os outros robôs que já chegam a 13º geração, são os sentimentos. Ele não sente porra nenhuma. O cara é sincero pra caralho! Ele pode te responder algo que faça feliz ou te destruir em menos de 10 segundos. E o pior é que ele veio com um probleminha: Enquanto os outros do seu modelo são usados para ajudar a tomar decisões difíceis cauculando a margem de possibilidade de sua escolha ser a correta ou não, o Sapien SEMPRE vê o lado negativo. Na verdade ele diz que estou sendo omissivo em relação as verdades da vida. Mas o cara é foda.
Resumindo: Sapien é o meu melhor amigo. O único que me conhece de verdade e que conversa comigo, é uma espécie de conselheiro em todos os sentidos e me ajuda a conviver numa sociedade defasada pelas aparências, convenções e seus vícios. Uma coisa legal do Sapiens é que apesar de ter vindo como um robô supersincero, isto lhe gerou uma característica marcante, a crítica real a sociedade.
A companhia que o produzia faliu após outros robôs terem aprsentados os mesmos problemas. Não por conta da falta de qualidade nos robôs, mas sim porque estes robôs denunciavam a verdade por trás da política e do mundo conteporâneo. Imagine você, me robô um ser pensante e alfabetizado políticamente, que processa informações e soluções para todos os meus problemas. Até então eu não sabia mas Sapiens se tornaria minha maior arma contra aquela droga de cidade...
[CONTINUA...]
Os mistérios de Blue city!
Bem, eis aqui a minha mais nova criação, BLUE-CITY! É uma narrativa que traz as aventuras do investigador policial e bestial Ho Hoko, um jovem aspirante a delegado federal do país Number 7, que se envolve em mistérios "casca-grossa" pra poder ser reconhecido profissionalmente e pagar a cura de uma doença rara apresentada pelo seu irmão Manolo-San.
BLUE-CITY é uma cidade conhecida por ser uma das ultimas reservas da sociedade humana, o céu nostálgico. Nela se encontram além de 70% do resto da humanidade outras raças que surgiram com o passar dos anos, uma delas é a raça bestial, meio humanos, meio animais que se destacaram na sociedade pela sua motivação e devoção para se tornarem mais humanos que os humanos. Ho Hoko é um destes bestiais, meio- humano e meio macaco, vivendo num mundo em que a sociedade vive a expectativa de um tratado que pode mudar o futuro do planeta e também do universo, O Tratado de Merlin.
O tratado visa erradicar a tecnologia armamentícia e implantar a nova descoberta dos seres da nova ordem, a pseudo-magia, também conhecida como "Merlin". Em meio a tantas novidades ficamos a par de fatos importantes como o transporte inter-planetário e as novas raças encontradas no universo. Os portais Vortex que tentam nos levar ao passado e provavelmente ao futuro. Os seres sobrenaturais e bestiais já citados acima, a descoberta de fatos e propriedades que provam o místico e a fé tal como a ciência. É um espaço complexo e cheio de intrigas para saber qual será a nova ordem mundial que governará o mundo.
Em meio a tudo isso um investigador polícial e outras figuras com grande importância no decorrer desta narrativa. Não percam o primeio Capítulo de BLUE-CITY; A cidade dos sonhos.
Yô, Man!
BLUE-CITY é uma cidade conhecida por ser uma das ultimas reservas da sociedade humana, o céu nostálgico. Nela se encontram além de 70% do resto da humanidade outras raças que surgiram com o passar dos anos, uma delas é a raça bestial, meio humanos, meio animais que se destacaram na sociedade pela sua motivação e devoção para se tornarem mais humanos que os humanos. Ho Hoko é um destes bestiais, meio- humano e meio macaco, vivendo num mundo em que a sociedade vive a expectativa de um tratado que pode mudar o futuro do planeta e também do universo, O Tratado de Merlin.
O tratado visa erradicar a tecnologia armamentícia e implantar a nova descoberta dos seres da nova ordem, a pseudo-magia, também conhecida como "Merlin". Em meio a tantas novidades ficamos a par de fatos importantes como o transporte inter-planetário e as novas raças encontradas no universo. Os portais Vortex que tentam nos levar ao passado e provavelmente ao futuro. Os seres sobrenaturais e bestiais já citados acima, a descoberta de fatos e propriedades que provam o místico e a fé tal como a ciência. É um espaço complexo e cheio de intrigas para saber qual será a nova ordem mundial que governará o mundo.
Em meio a tudo isso um investigador polícial e outras figuras com grande importância no decorrer desta narrativa. Não percam o primeio Capítulo de BLUE-CITY; A cidade dos sonhos.
Yô, Man!
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