quarta-feira, 17 de novembro de 2010

BLUE-CITY! HOMO SAPIENS! - PARTE - 04


"As Três Leis da Robótica são leis que foram elaboradas pelo MESTRE em robótica Isaac Asimov, que dirige o comportamento dos robôs. São elas:
  • 1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • 2ª lei: Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens contrariem a Primeira Lei.
  • 3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis." 
BLUE-CITY - BAIRRO VONGOLA - APARTAMENTO 13 - 1:20  


- Que porra é essa Sapiens?
- ...
- Eu vou perguntar de novo que porr...
- Eu matei um homem.


Foda. A situação tava foda. Qualquer merda que tenha acontecido naquele dia iria me foder e eu tinha de estar preparado para aquilo.  Sapiens permanecia  parado olhando diretamente para mim e eu o analisava assustado tentando entender que porra era aquela. 

Eu conhecia as leis da robótica de có e saltiado, quase sempre se tinha comerciais do governo local  manipulando e direcionando a população a um conservadorismo extremo da raça humana. Os caras tinham medo de deixar de existir. Tivessem pensado nisto antes de impactar a sociedade deles com uma bomba de proporções gigantescas. 

Na cidade em que os humanos eram maioria, um crime que transgredisse as leis de Asimov viraria notícia em todo o mundo. As outras nações estavam de olho nos conhecimentos remanescentes dos merdas humanos. Você sabe a gravidade de um crime contra um humano no local em que em tese deveria ser o lugar mais seguro para eles? Sabe o que isso representa para nações inimigas?

Sim. Era cabuloso. 

Em 25 anos de existência nunca tinha escutado alguém falar algo sobre um crime que se enquadrasse na área robótica. O máximo que nós, da patrulha, sabíamos que já havia acontecido eram certos defeitos funcionais. As vezes uma lata velha pifava por culpa do proprio dono da máquina.  O irresponsável esquecia de organizar e verificar funções básicas do "machine" e neste vacilo a merda tava feita. Robô era que nem carro em épocas antigas, se houvesse problema, a falha era sempre humana. SEMPRE. Grande novidade...


E quais eram os problemas desencadeados por estes erros funcionais? Coisão: Uma casa mal-varrida, o forno que não era controlado e queimava a comida, o filhinho que ficava esperando o robô buscá-lo no colégio e continuava a esperar e esperar porque o pai se esqueceu de algum checkup no robô filho da puta, enfim... 

Era NADA perto de um crime relativo a morte. Isto era grave. Gravíssimo.

A pergunta que me fazia era: O que diabos aconteceu com o Sapiens? De quem era aquele sangue? E aquela arma? O que ele fazia naquele horário fora de casa? Eu não sabia. Mas preferia mil vezes ter de ouvir merda do viado do Jorge a saber que justamente o MEU robô havia cometido um crime contra a bosta opressora da raça humana daquela cidade. Quando isso vazasse, eu estaria fudido. A cidade ia tremer  e o coro ia comer de com força pra cima do meu lado. 

Eu tinha de segurar o cú. Ele já tava na mão.


- Co-co-como é que é rapaz?!!
-  Eu matei um homem.
-  Que hom...que porra...que é que ta acontecendo aqui? Isso é alguma brincadeira? Você aprendeu com algum comediante de merda a fazer graça robô?
-  A probabilidade de ele estar morto neste momento é 100%. 
-  Caralho SAPIENS! Desde quando você sai de casa na madruga porra! Você está louco?! Como assim o robô tá louco...porra robô não enlouquece..caralho o que é que eu to pensando, eu tenho de fazer algo rápido...onde foi isso Sapiens?CARALHO...
-  Aconselho-te a não ir lá pois...
- Aconselho-te é o caralho! Conselho de cu é rola! Eu paguei caro por você!
- Não necessáriamente, que eu saiba eu estava na liquidação e...
- CALA A BOCA! CALA A PORRA DESSA BOCA DE LATA  DO CARALHO!
- O senhor que manda, Sr.Ho...
- Cara... porquê? Quem? Você feriu uma lei de Asimov cara...tu vai ser destruído...e eu também!
- Não me lembro de ter ferido nada senhor, apenas alguns flashs me vêm na memória. A única coisa concreta em 100% de informação é que eu segurava a arma e pelas leis da física e meus cálculos o sangue espirrado em meu torax robótico foi jorrado de um disparo efetuado por alguém qu estava na minha posição. Não me lembro do momento exato. Mas há uma possíbilidade de 99,7% de que eu tenha sido o autor do disparo.
- Puta que pariu...Alguém te viu entrando aqui assim? Todo sujo?
- Observei o perímetro com sucesso.
-  E?
- Nenhum ser encontrado.
- Porra como assim ninguém?
- Eu não me lembro de nada entre ás 8:15 e às 12:50. No entanto há câmeras na zona B-35 referente ao nosso perímetro. O que quer que tenha acontecido naquele local, tudo foi gravado.
- As imagens são vistas pelo operador vigilante...Hoje quem iria fazer esta ronda era o Stan...Ele estava comigo tomando umas, o que significa que ele deu um migué na ronda de hoje.
- A ultima coisa que lembro foi de estar assistindo a NETV*  e logo após a imagem do homem caindo ao meu colo. Eu com a arma na mão. Ainda tentei ajudá-lo mas ele morreu exatamente 5 segundos depois. Calculei os contratempos de ser visto por mais alguém no local naquelas situações. Deixei o corpo lá e saí. Não omiti socorro, já não tinha mais o que fazer.
- Eu tenho que pegar aquelas imagens antes que o Stan as veja ou eu tô fodido.
- E eu destruído.
- [AMBOS SE ENTREOLHAM, HO NERVOSO COM A SITUAÇÃO, SAPIENS ANALÍTICO COM AS CONSEQUÊNCIAS...]


Não vou mentir que fiquei sem reação. Salgado ao extremo. Aquela história estava mal contada. Não sei se o Sapiens era do tipo que matava homens. Mas o que quer que tenha acontecido eu teria de investigar rápido. E me safar o mais rápido ainda. Eu começava a entrar em uma grande privada rotativa que atirava merda pra todo lado. Mas se é pra feder, eu iria mexer naquela merda até descobrir a verdade...


[CONTINUA...]


NETV - Rede de canais interativos e informacionais. Uma espécie de Televisão futurísica, digital e holográfica.

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